To meio sem inspiracao pra escrever mais vou tentar :)
Hj tava analizando o tempo que estou aq, ja se passaram um ano e 3 meses nosssssssa como o tempo voa.
Tantos sentimentos foram envolvidos nesse meio termo, tantas brigas comigo mesma, tanta coisa que aprendi sobre a pessoa que eu sou e tantas duvidas foram criadas sobre quem eu quero ser amanha.
Outro dia eu estava voltando pra casa e passei perto do aeroporto onde desemparquei para ir para casa da familia, senti cada movimento daquele dia, foi tudo tao real, pude sentir o que eu estava sentindo no momento que minha host estava dirigindo por aquela freeway, cada predio, cada luz, cada carro, cada cheiro, senti tudooooo de novo e o que eu consegui sentir com maior intensidade foi o medo do novo, o medo do que estava por vir. Entrei na minha casa e parece que vi a reconstituicao da cena.... foi uma sensacao tao estranha que tive que me perguntar o pq tava sentindo tudo de novo, qual era o proposito daquela sensacao???
Nao obtive resposta claro, mas o que pude perceber que mesmo com o medo gigantesco que eu estava naquele momento eu tinha a sensacao de estar fazendo a coisa certa, de ter dado a mim oportunidade de viver a vida intensamente, de abandonar tudo que ja estava velho e cansado na minha vida e viver tudo novo e reconstruir.
Desde que cheguei aq, tentei viver intensamente, e claro que nem sempre a gente consegue pq como sempre a vida cai na rotina, mas ao mesmo tempo eu tive um milhao de informacoes para serem digeridas, o ingles era algo que eu queria insanamente absorver o maximo possivel e mesmo com a minha preguica que cisma em nao me abandonar eu trabalhei incansavelmente pra isso e hj posso dizer que nesse quesito nao fracassei mtooooo kkkkkkk o ingles ta mtooo melhor.
Talvez desde o inicio, eu sabia que apos um ano aq eu nao ia querer parar, parar de correr atras do novo e da minha independencia, parar de aprender e viajar, deixar de conhecer o mundo so para ter a sensacao de conforto que a sua casa lhe oferece, talvez eu tivesse essa consciencia desde o inicio, mas eu nao aceitei, e dificil pensar na possibilidade de ser baba em terras estrangeiras ao invez de seguir sua profissao na sua confortavel terrinha. E mesmo com o mundo dizendo o quao louca eu era por preferir limpar bunda de crianca ao invez de seguir a area onde eu com MTOOOO esforco estudei, eu decidi que deveria continuar me dando a chance de tentar, ainda nao me sentia completa, ainda nao sentia que era hora de voltar pra casa e dar inicio a vida adulta, a uma vida que vc jamais podera abandonar depois de ingressar, sentia que aquilo ainda nao era pra mim, que tinha que continuar tentando e ca veio um novo e gigantesco obstaculo, mudar tudo nao foi facil, enfrentar morar sozinha, ter conta pra pagar e tudo mais me deu uma imensa vontade desistir e voltar pro colinho da vovo, ou mesmo desistir da independencia e continuar no conforto que o programa de au pair lhe oferece... Mas sera que desistir me faria feliz??? Ahhh com toda certeza nao e isso me deu vontade de lutar e tentar.
A semana mais dificil da minha vida foi a primeira em casa sozinha, e claro que temos provacoes a passar, e sinto como um teste, para Deus nos analisar e ver se realmente aguentamos o baque.
Qdo meus hosts mudaram de casa e eu tive a minha primeira noite la sozinha, cheguei em casa e senti um vazioooooo, e pra ajudar ainda mais era uma sexta feira e eu nao tinha ninguem, meus amigos estavao viajando coisa que eu nao podia fazer ja que estava tentando economizar o maximo, estava sem internet e sem TV, pq a cox ao invez de desligar so o tel desligou tudo, entao imagina qual foi o desespero. A casa ainda estava suja e com moveis mal espalhados devido a mudanca, a geladeira e despensa totalmente vazias, e eu estava aq sozinha, sem ninguem pra contar, sem ninguem pra conversar, sem ter o que fazer, definitivamente tendo que enfrentar tudo SOZINHA. Eu lembro que chorei, chorei a noite inteira com medo, medo de tudo, das responsabilidades que estava pra enfrentar, de nao ter com quem contar, ou pra quem contar, ninguem ao meu redor entenderia, pois nao estao passando pelo mesmo que eu... com a familia longeeeeeeee com os verdadeiros amigos ainda mais longe. Eu me senti o ser mais desamparado do mundo. Acordei no sabado e fui pra aula, o que eu esperava era que pelo menos a aula fizesse eu me sentir melhor, mas dai acontece algo chato que me fez sentir o pior dos seres... A vaga de nanny que preenchi era pra substituir uma menina que estuda comigo, o que ate entao era desconhecido pela gente, ligamos os fatos e percebemos que era a mesma familia, e o pior ela nem tinha sido avisada... Por mais que saiba que eu nao tinha culpa, que eu conhecia a menina so ha duas semanas e falava pouco com ela, que se a familia pensa em substituir se nao fosse por mim seria por outro alguem... mesmo com tudo isso eu me senti O PIOR SER DO MUNDO, vi o desespero nos olhos dela, as contas pra pagar, a falta de consideracao por nem ao menos ter sido avisada, a preocupacao sobre ONDE EU ERREI nos olhos dela... tudo isso me fez um mal terrivel, me atacou a enchaqueca e comecei a me preocupar com que tipo de pessoa eu estava sendo... e mesmo todo mundo falando que eu nao tinha culpa nenhuma que eu nem sabia, que era coicidencia, eu me senti o maior lixo das especies e por alguns segundos eu quis desistir, desisitir de tudo e principalmente desisitir do ser humano.
Fui pra casa, qdo abri a porta a minha unica vontade era correr, fugir, pegar o aviao e voltar pro colo da vovo :) sem ter o que fazer, com quem conversar ou pra onde ir o que me restou foi entrar em casa mesmo assim, deitar na minha cama e chorar ate o novo dia recomecar.
Nunca tive tanta homesick desde que cheguei aq, nunca me senti tao mal e nunca chorei tanto.
Domingo nasceu e a unica coisa que fiz foi ficar na cama o diaa todo, entre lagrimas e sono, lagrimas e sono, ate me recompor pra comecar segunda feira e tentar fazer da semana uma semana melhor. Os dias continuaram solitarios e dificeis, mais dia pos dia eu percebia como eu estava mais independente e mais forte.
Com os amigos de volta, a seguranca de volta, as coisas se acalmaram e junto meu coracao se acalmou tb, e percebi que passei pelo que tinha que passar.
Se meus amigos tivessem ao redor eu nao ia entender como e solitario morar sozinha eu teria passado o fim de semana inteiro longe de casa, se tivesse internet ou tv eu nao ia perceber e analizar o novo caminho que estava por enfrentar. Hj depois dessa semana eu vejo que posso levar milhares de tombos que posso ficar sozinha e sem tv e sem internet e sem familia e sem amigos que um jeitinho eu vou dar, nao vou morrer por isso e tenho que ser forte ate a nova fase da vida chegar... PQ a vida e feita de fases e cabe a nos indentificar se somos fortes o suficiente para atravessar essa fase ou se e melhor desistir no meio do caminho :)